A ideia de liberdade que o sujeito tem, atualmente, contrasta com o conceito de libertinagem e, desse modo, configura-se numa deturpação e atinge-se uma irracionalidade indescritível.
A sala de aula é, por excelência, o local ideal para estabelecer as bases fundamentais para a formação do homem como ser civilizado e não o inverso. Tal pressuposto implica na possibilidade de produzir uma virtude moral entre os sujeitos e uma ética para agir socialmente. Ora, se, de um lado, é possível a construção de uma relação em que a moral seja um instrumento para tornar o sujeito socialmente ético; de outro, é fundamental que seja elaborada uma ética moralmente social, i. e., ambos (educador e educando), necessitam apreender o espírito do respeito numa relação social. A divergência é apenas um detalhe que pode ser superado.
Não é normal e menos ainda comum que a agressão seja considerada uma instância para resolver algum tipo de problema entre as partes envolvidas. Por mais que tentemos justificar um ato agressivo como forma de defesa pessoal – no caso em questão, a agressão física do aluno sobre o professor, ai o ato torna-se mais complexo e menos justificável –, tal atitude promove a quebra da moral e a ética tornada nula, premida. O holocausto engendrado nas cercanias de uma mente doentia, inflada de ódio, perde a razão de ser e em seu lugar surge a irracionalidade descontrolada; tal prodígio inumano institucionaliza a imbecilidade cujo reflexo ressentimos em cada ato agressivo sem uma razão de ser.
A deplorável cena ocorrida na semana passada 02/12/2017; veiculada pela mídia – telejornal no horário nobre – entre um educador e um educando – em que o segundo, agride de forma covarde o mestre -, reacende o debate sobre a relação social entre quem ensina-e-aprende com quem, aprende-e-ensina, reciprocamente. Este triste episódio tem que repercutir sobremaneira e ganhar uma dimensão que possa abrir o debate sobre o papel do aluno na escola, especialmente, por que ele está na escola. A escola tem a função social de proporcionar ao educando os conhecimentos básicos para interagir socialmente e de maneira civilizada no interior da sociedade. O educador constitui o epicentro desse processo formativo. Por conseguinte, a relação social entre os sujeitos do processo deve se pautar no respeito, na empatia.
Há uma distinção elementar entre o ato de educar e o de ensinar. O primeiro é de responsabilidade exclusiva da família, e o segundo, é de competência da escola, o educador é o fio condutor das ensinagens; o educador, portanto, é a ponte que garantirá o protagonismo do educando na sua trajetória pessoal.
A agressão, a ameaça e a intimidação não pode compor a quadra educacional sob nenhuma circunstância. O que deve ser concebido como peça-chave do processo é a parceria e o compartilhamento entre os sujeitos do processo objetivando apreender os conhecimentos e os saberes elaborados e disponibilizados social e historicamente visando transformar o sujeito aprendente.
Ao invés de haver agressão, ameaças e intimidação, que seja compartilhado e cultivado o amor e a solidariedade. A escola tem de se propor alternativa para conduzir o educando na melhor perspectiva possível, revelando-lhe o caminho do êxito e do progresso. Por isso mesmo, o educando carece de virtudes que o anime a um patamar elevado como homo sapiens e não coloca-lo numa condição de primata. Assim, é possível descortinar uma relação saudável e respeitadora entre os indivíduos que conjugam o campo educacional. A escola é o portal para transformar a natureza rude do homem de forma cidadã e civilizada.
Nosso entendimento sobre o episódio ocorrido numa das escolas da cidade de São Paulo, é de profunda lamentação e angústia, pois, tal cena pode ganhar uma perspectiva desmedida em que o educando ache natural agredir seu preceptor. E não o é.
Por: Jacinto júnior

