
De fato, o articulista tem toda razão: a pretensa candidatura do “pupilo” (Francisco Nagib) simboliza um verdadeiro pesadelo para a comunidade codoense. A tentativa do megaempresário (Francisco Carlos Oliveira) em promover sob o arquétipo do bom moço, a imagem de seu “pupilo” como uma figura pública redentora e capaz de ser e/ou tornar-se o mais importante homem público da cidade ou da região, soa simplesmente como um blefe. Pois, no fundo, a fórmula conceitual aplicada para inseri-lo na disputa política se caracteriza pela mecanização de suas aparições públicas. Na verdade, ele próprio é o “pupilo” robotizado.
Não sei que tipo de ‘pesadelo’ faz referencia o articulista, mas, a realidade frontal é que a própria candidatura se consagra como um terrível pesadelo; visto que, até a presente data ainda se debate em qual caminho escolher, como se isso, fosse determinante para um homem público. Codó não precisa de um ‘salvador da pátria’, nem tampouco um de ‘bondoso arcanjo’; a comunidade codoense quer um político compenetrado, que conheça os seus problemas e lute por eles tanto na esfera regional quanto na Nacional. Mas, tratando-se de uma candidatura burguesa (como é o caso em questão), não causará impacto nenhum à estrutura social, pois, os representantes da elite econômica e política não tangenciam seus interesses e, muito menos, os negocia em favor de outrem.
O ‘pesadelo’ maior para nossa cidade é quando houver a decisão dessa esquálida candidatura burguesa inferior. Maior ainda serão os efeitos catastróficos que ela originará, não por ser uma candidatura alternativa, mas, sim, pelo fato de ser simbólica para os filhos de Codó e real para os interesses da burguesia.
É provável que uma candidatura da magnitude da do ‘pupilo’ seja tão perversa a ponto de se tornar um ‘pesadelo’. Mas a lógica nos leva a isso, inevitavelmente.
Não podemos acreditar que haja uma relação íntima entre essa candidatura em relação ao povo, isso no mínimo é chocante. Por mais que se esforce não será suficiente para eliminar o conceito concreto sobre a figura negativa do megaempresário. Esse é o karma que o ‘pupilo’ carregará para o resto de sua vida.
Há, sim, de chegar um momento de nossa história que insurgirá um verdadeiro líder cuja virtude será aceita e compreendida pela comunidade codoense para ser seu representante nas instâncias do poder. Por enquanto, teremos apenas surtos e grandes ‘pesadelos’.
CANDIDATURA “PESADELO” II
Essa manchete causa-nos até cócegas. Gostaria de definir essa candidatura em apenas três pontos cruciais:
- A tentativa de transformar o “pupilo” numa figura pública capaz de abalar as “estruturas” revela, por um lado, a incontida vontade de seu abastado protetor, realizar um sonho. Contudo, essa tarefa implica outros elementos que não estão sob o seu controle.
- O grande dilema que perpassa a cabeçinha oca do candidato “pupilo” é não ferir a candidatura do afilhado político de seu genitor o nobre deputado César Pires. O clima não é agradável nem para o seu genitor quanto para o atual deputado, pois, se, de um lado, ele sempre fora apoiado pelo grupo da extrema direita, com a candidatura do “pupilo” na mesma esfera de poder o colocaria numa ‘saia justa’, isto é, o contumaz apoio empresarial seria deslocado para o próprio “pupilo”. O outro dilema é direto com o então Ministro das Minas e Energias, o senador Edison Lobão que tem interesse em ter um representante na Câmara Alta para poder barganha com o governo federal (o famoso lobby que todos nós já conhecemos) cargos e outras funções na estrutura institucional. Portanto, o provável candidato ao cargo na Câmara Alta, obviamente, tem de passar por suas mãos e o comandante da extrema direita não vai se contrapor ao desejo do ‘velho’ senador.
- Em síntese, esse é o ‘pesadelo’ enfrentado pelo “pupilo”. Pode até ocorrer a sua não candidatura, pois, há um discurso no meio político que diz: “na política tudo é possível, é dinâmico, inclusive, o improvável”. Quem sabe se não é esse ‘improvável’ que definirá o insucesso dessa candidatura burguesa que não cabe nos sonhos da comunidade codoense?
De uma certeza tenho: a candidatura de Francisco Nagib o “pupilo” seja para deputado estadual ou federal não é a expressão de uma luta em favor dos menos favorecidos, ela é, na verdade, a maximização de um projeto político ambicioso para dominar nossa cidade. Codó não é uma colônia, não é uma propriedade privada, não é uma loja de alguém para definir o valor de suas coisas. Codó é antes de tudo, uma cidade de todos.
Por Jacinto Júnior
