O corpo do cacique Firmino Silvino Guajajara, morto a tiros em um atentado a indígenas no Maranhão, foi sepultado no fim da manhã desta segunda-feira (9) na Terra Indígena Cana Brava, no município de Jenipapo dos Vieiras, localizado a 506 km de São Luís. O cacique Raimundo Bernice Guajajara, que também morreu no atentado, foi sepultado também na tarde de ontem.
Sob forte emoção, o sepultamento foi realizado com a presença de familiares e amigos do cacique da aldeia Severino.
Os dois indígenas que ficaram feridos no atentado ainda continuam internados. Um dos índios foi submetido a uma cirurgia no Hospital Macrorregional de Presidente Dutra e encontra-se estável, mas seu estado de saúde é considerado grave, segundo o último boletim emitido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). O segundo índio que ficou ferido deve ter alta ainda hoje, terça-feira 10.
Um inquérito foi aberto pela Polícia Federal (PF) para investigar o caso. A Polícia Civil do Maranhão encaminhou um relatório à PF e também acompanha as investigações do caso.
Raimundo Guajajara morreu durante o ataque a índios em Jenipapo dos Vieiras.
Um representante do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve realizar ainda nesta terça (10) uma visita a Terra Indígena Cana Brava. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), o crime pode ter relação com os constantes assaltos registrados no trecho da BR-226.
Em um vídeo que circulou nas redes sociais após o ataque, o indígena Nelsi Guajajara, que ficou ferido durante o ataque, contou que foi surpreendido por um veículo de cor branca que disparou diversas vezes contra a motocicleta onde ele e Firmino Guajajara estavam.
PROTESTOS
Por quase dois dias, três pontos da BR-226, na altura das aldeias indígenas Boa Vista e El Betel, localizado entre os municípios de Barra do Corda e Grajaú, ficaram bloqueados pelos indígenas que protestavam pelo atentado. O trecho foi totalmente liberado no final da tarde de domingo (08).
Um congestionamento de veículos de mais de 1,5 quilômetro foi registrado na área. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal do Maranhão (PRF-MA), os índios chegaram a atacar com pedras um ônibus que trafegava pela região. As janelas do veículo foram quebradas e a ação causou pânico e medo nos passageiros.

