“Ela tinha apenas 18 anos. Lavineg estava eufórica trabalhando numa cidade onde são poucas as oportunidades. Excelente aluna, o futuro lhe sorria. De repente o pesadelo. Três tiros. Um no rosto, mortal. Nem se deu conta e já acordou no Céu. Restou a saudade e a dor da ausência, e é claro, a insegurança. Essa onda de crimes sem precedentes é consequência de uma gestão governamental errática. O abandono das crianças e jovens deixa a maioria sem qualificação. Esse descaso os leva para a marginalidade. A guerra nas ruas é cruel. Pense na escola que não ensina, não abriga e não qualifica? Como enfrentar os desafios do emprego, despreparado? E resistir aos encantos do consumismo, sem dinheiro? O exemplo é o Maranhão onde mais de 55% das famílias vivem na pobreza absoluta. Como dar atenção aos filhos passando fome? Se a essa legião se juntar os pobres e os informais vê-se que a grande maioria está em necessidade extrema. Diante disso o que fazem os poucos que tem recursos? Tentam se proteger. Na maioria das vezes de maneira equivocada. O caso da Lavineg é exemplar. O correspondente do Bradesco coloca um homem armado no horário do expediente ao público. Segurança armada nesse momento é perigosa. Põe em risco a vida ao invés de protegê-la. A “arma”” protege o que? A vida? Não. Protege o patrimônio, no caso, o dinheiro do banco. Quando fui secretário de Saúde retirei seguranças armados das recepções das Upas e hospitais. O que fariam com uma arma em meio aos pacientes, suas famílias, funcionários, médicos e profissionais de saúde? Se o segurança, no assalto que tirou a vida da Lavineg, estivesse desarmado, ela estaria morta? Provavelmente não. Tem muita coisa pra ser revista. Vamos começar garantindo uma saúde e educação igual para pobres e ricos e um sistema de segurança que tenha como meta preservar vidas. É possível e tá na hora”.
Por Ricardo Murad

