Codó, 04 de Agosto de 2023
Carta à sociedade codoense.
Nas fotos, Chinha, Renegado, Vs e Mano Robson, primeira formação do grupo de Rap Codoense (Tiroteio Verbal Mc`S).
Nesse tempo não tinhamos internet de alta velocidade, não tínhamos smartphones não tínhamos acesso aos acervos do Hip Hop do sudeste.
O que vinha em relação a Hip Hop nós comprávamos, revista ou cd, era o que tinha na banca do seu Joca, no centro da cidade, mais precisamente, em frente a loja do Paraiba.
Ninguém se importava ou acreditava, que fariamos barulho nessa cidade, depois que gravamos nosso humilde cd intitulado Nosso Protesto, la na casa do dj Laévio.
Ao lançar nosso cd nas ruas, vendendo de mão em mão, fomos primeiro lugar durante 6 meses na Rádio Band Music Fm, concorrendo com bandas nacionais, e primeiro lugar durante um ano em todas as rádios comunitárias da cidade, com a música, Do outro lado da ponte.
Em 2003, poucas pessoas sabiam o que era Rap ou Hip Hop em Codó, quantas vezes tivemos que escutar, isso é som de marginal, de bandido, isso não vai pra frente, quantas portas foram fechadas em nossas caras naquela época e até hoje mesmo sofremos com diversos descasos, com a nossa música autoral.
Não, não éramos pra estarmos mais aqui, 20 anos cantando a mesma coisa, isso se nois dependéssemos do sistema, mas não dependemos.
Dependemos de uma base instrumental e de ar em nossos pulmões, e, na verdade, até sem base instrumental, a gente canta e encanta por onde passamos, pelos palcos e eventos que fomos.
Ainda lembro daquela noite de 2005, no bairro mais nobre de Teresina (Jockey Clube), Piauí Pop 2005, quando a midia Piauiense perguntava a todos com enorme espanto, de onde são esses garotos talentosos?
A resposta logo veio, Codó Maranhão, terra onde a maioria é negra, decendentes de escravos, filhos de quebradeiras de côco babaçu.
(Mano Robson).



